Servidores idealizam projetos que melhoram a qualidade do serviço prestado pela administração pública em Goiás

São tantas as iniciativas para melhorar  a qualidade do serviço prestado ou promover economia para o erário público entre os servidores estaduais que, em 2013, foi criado em Goiás o Banco de Boas Práticas de Gestão no  Serviço Público. De cálculos previdenciários complexos a soluções criativas para economizar energia elétrica, passando por políticas mais humanizadas de gestão de pessoas, vários projetos de servidores públicos comprovam o empenho destes trabalhadores em servir à população com dedicação, ética e eficiência. São histórias de motivação e empenho que inspiram o trabalho cotidiano e vão muito além do cumprimento da obrigação, contribuindo para o bem da sociedade e para valorizar o papel de toda a categoria.

Ao observar que muitos colegas estavam evitando viajar a trabalho, não por falta de compromisso com o serviço público, mas simplesmente porque o pagamento de diárias era posterior e muito moroso, o advogado e gestor público Gustavo Pedrosa desenvolveu um sistema que facilitava o processo. Seu projeto agilizava a solicitação e prestação de contas do servidor público que precisasse viajar para uma cidade fora de seu domicílio.  A ideia lhe rendeu o terceiro lugar no 1º Concurso de Boas Práticas no Estado de Goiás, criado pela Segplan.

O projeto, desenvolvido no Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo), foi denominado como Sistema Ipasgo de Concessão de Diárias (SICD) e, posteriormente, tornou-se um sistema padrão que está sendo utilizado em todos os órgãos do Estado. “Eu sempre gostei de ajudar as pessoas e isso vem de família. Eu me dedico a isso, sou focado. Tem gente que diz que eu não deveria me dedicar tanto, já que eu ganho pouco, mas se for esperar apenas as condições ideais, não se faz nada”, comenta Gustavo ao ser perguntado sobre a sua maior inspiração.

Hoje atuando na Secretaria de Estado da Saúde, na Coordenação de Manutenção Predial, Gustavo Pedrosa, de 42 anos, continua tendo ideias que possam ser tão proveitosas para o serviço público quanto a anterior, desenvolvendo práticas sustentáveis e econômicas. “Por exemplo, através de um contrato de manutenção, conseguimos somente com a instalação de uma caixa d’água e desativação de outras caixas subterrâneas uma economia surpreendente com a conta de água e energia elétrica. De R$ 27.454,00  no mês de maio de 2017, a conta foi reduzida para R$ 5.395,00 no mês de julho do mesmo ano, uma economia de mais R$ 22 mil por mês”, calcula.

“Há muitos exemplos de boas práticas no serviço público e há muitos colegas, em todas as áreas, muito bem preparados, que se especializam ou fazem cursos por conta própria ou se reciclam por meio da própria entidade onde trabalham”, destaca o servidor,  formado em Gestão Pública pela UEG em parceria com a Escola de Governo Dr. Henrique Santillo e pós-graduando em Gestão Pública Contemporânea. “Tenho orgulho de ser servidor público e procuro desenvolver o meu ofício da melhor forma possível, na tentativa de proporcionar às pessoas que dependem do nossa ação uma satisfação plena”, conclui.

A percepção de que muitos de seus colegas não tinham conhecimento de seus direitos e deveres como servidores públicos levou a gerente de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Planejamento Juliana Chaves, de 33 anos, a desenvolver um projeto premiado em 2014, o manual Servidor que se Informa. “Notei que boa parte dos servidores não sabiam sobre todos os seus benefícios, direitos e deveres, nem como ou onde buscar essa informação”, conta a gerente, que tem formação em Psicologia.

Essa cartilha foi implantada em 2016 e disponibilizada no site da Segplan. “O material é interativo e é constantemente atualizado”, acrescenta Juliana Chaves. “A criação do projeto surgiu da  preocupação em fazer de tudo para facilitar o acesso do servidor às metas de competência e transparência, a exercer o seu trabalho de forma mais dinâmica”, destaca a gerente.

Servidora efetiva desde 2007 e gerente desde  2012, Juliana acredita que, somados à eficiência e transparência no trabalho, outros fatores podem contribuir para valorizar a imagem do servidor público. Neste sentido, ela destaca a importância do incentivo de atividades extraoficiais dos servidores públicos junto à comunidade em geral. “Fazemos com frequência campanhas de arrecadação de alimentos e brinquedos. Essa é também uma maneira para que os servidores públicos sejam reconhecidos pela sociedade — sobretudo como seres humanos e, que, portanto, temos o dever de ajudar uns aos outros”, conclui.

Quando assumiu a Gerência de Cálculos e Precatórios na Procuradoria-Geral do  Estado de Goiás, em 2011, Tales Mendes de Castro aumentou sensivelmente a produtividade da equipe na análise de processos. “Logo no início, percebi que alguns colegas tinham produtividade menor que outros.  Não foi difícil perceber, até porque já trabalhava no setor há mais de quatro anos. Por outro lado, os colegas que tinham uma produção melhor relataram cansaço e desmotivação pela situação”, recorda.

Para chegar a uma distribuição equânime e justa de processos, o gerente determinou que, já que todos os colaboradores tinham conhecimento de todo o trabalho desenvolvido na gerência, a distribuição de processos fosse feita por pontos, de acordo com a complexidade dos mesmos, valores em discussão e fase do processo, entre outros fatores.

A partir daí, considerando a pontuação (ranking) de cada servidor, era feita a distribuição. “Aqueles servidores que estavam com uma carga de trabalho maior passaram a trabalhar com um pouco mais de tranquilidade”, ressalta Tales. Como resultado, mais processos foram efetuados, atendendo com mais eficiência o cidadão e permitindo ao Estado economia de milhões de reais.

Servidor público desde março de 1998, primeiro na União e depois no Estado, Tales, de 40 anos, reconhece que mudou,  ao longo dos anos a noção da responsabilidade que é servir o cidadão. “Mas desde que assumi o cargo de Analista de Gestão aqui no Estado, em janeiro de 2007, nove anos mais maduro, agi diferente”, diz ele, ressaltando a paixão pela área e o bom exemplo dos colegas com quem atuou.

“Cada um de nós deve  trabalhar com muito esmero e dedicação para mudar  essa cultura sobre o servidor público. Servir o povo, ou ainda se pensarmos no cidadão como nosso próximo, é a mais nobre das atividades”, ensina Tales, que desde janeiro de 2017 é titular, por meritocracia, em Gerência de Cálculos Previdenciários  na Goiasprev.

Gerente de Informações e Normatizações Contábeis da Superintendência da Contabilidade-Geral da Sefaz desde 2017, Carlos Roberto Fernandes destacou-se no serviço público ao desenvolver dois projetos: Implementação das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao Setor Público no Estado de Goiás e  Implantação do Sistema da Conta Única do Tesouro Estadual.

Os dois projetos são determinações de âmbito nacional. “Criei um modelo de sistemática da conta única, que foi desenvolvido dentro da estrutura do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público – PCASP, evidenciando assim uma total transparência dos recursos geridos pelo Estado de Goiás, mais precisamente pelo Tesouro Estadual”, explica o gerente.

“Podemos constatar que, além da transparência total das finanças públicas e da melhoria na gestão financeira dos diversos órgãos/entidades, a sistemática da conta única produz um ganho extraordinário para a sociedade, pois possibilita aos diversos usuários da contabilidade um acompanhamento melhor dos recursos públicos”, defende o gerente.

“Entendo que um servidor público tem a obrigação de dar a sua parcela de contribuição, efetiva, na melhoria de processos e implantação de projetos, visando a sempre ter uma administração pública eficiente e eficaz, de forma que os recursos públicos possam ser bem geridos e assim sejam suficientes para satisfazer as demandas impostas pela sociedade”, disse ao ser perguntado sobre sua maior motivação.

Fonte: Assessoria de Comunicação do SINDIPÚBLICO | Ampli Comunicação